segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Meu primeiro semestre na Puc Minas

Depois de 9 anos em uma universidade pública federal, tendo passado algumas experiências péssimas e outras ótimas, ingressar em uma universidade privada não é mais que uma experiência bizarra. Com toda certeza, meu maior aprendizado durante esses meses foi sobre a importância da universidade pública e o quanto sentirei falta da UFMG quando concluir minha licenciatura. Mas não foi só isso que aprendi nesse segundo semestre de 2017.

Diferentemente da UFMG, o curso de Letras da Puc possui o currículo fechado, o que quer dizer que não possuímos uma variedade muito grande de opções de matérias. A grade curricular  da Puc já se adequou à Resolução Nº 2, de 1º de julho de 2015. Sendo assim, entrei no novo currículo e, por haver aproveitado algumas disciplinas, estou no limbo entre ser caloura e não ser caloura, com horário vago no próximo semestre para cursar matérias que deveria cursar quando veterana, mas que ainda não são ofertadas. Por sorte, na UFMG não precisei migrar para o novo currículo: teria que passar para a licenciatura dupla espanhol/português, com duração de seis anos.

Do primeiro período, cursei apenas as disciplinas Práticas discursivas em inglês e Introdução aos estudos da linguagem: sujeito e linguagem. A professora de inglês é um amor, e consegui ficar até um pouco mais animada com a língua - passar meus dois primeiros dias de férias assistindo compulsivamente TBBT e Young Sheldon pode ser considerado um interesse maior pela língua (ou então não passa de compulsão pelo personagem). Os professores de estudos da linguagem são ótimos e espero sinceramente que os outros do curso sejam como eles. Revi muito do que havia aprendido no bacharelado na UFMG e aprendi algumas coisas novas. Conheci novos autores também, e isso já fez o semestre valer a pena.

Além dessas disciplinas, cursei uma das duas de religião, o que dispensa comentários, e duas virtuais. As virtuais foram minha maior decepção, já que com a outra eu não tinha expectativas. Considerando que pude, pelo menos, ler um texto interessante e fazer um trabalho sobre direitos humanos na de religião, posso considerar que ela foi mais produtiva que as virtuais. Uma tristeza. Se com as disciplinas online da UFMG eu pude perceber que o pessoal que trabalha com EAD no Brasil precisa comer muito arroz e feijão para um dia chegar ao nível de um curso do Coursera, comparadas às da Puc, as disciplinas da UFMG parecem ter atingido a perfeição.

Falando em cursos/disciplinas EAD, é engraçado notar que a qualidade da especialização que estou fazendo na Estácio, uma instituição com pouco prestígio, consegue ser infinitamente superior a das disciplinas virtuais da Puc, uma instituição com mais prestígio. Enfim, desde atividades avaliativas ruins e/ou emburrecedoras (apesar de uma das disciplinas possuir um conteúdo super avançado em relação a como deveria ser uma escola), e textos mal escritos e superficiais, a um professor totalmente desqualificado para aplicar atividades que envolvem linguística, a pergunta que me ficou é: qual o critério da Puc para contratar professores tão bons e outros tão péssimos?

Com isso, só aumenta a certeza de que todas as instituições possuem qualidades e defeitos, e que a maioria das pessoas que fazem comparações descabidas entre públicas e privadas, com o único objetivo de desqualificar as universidades públicas, não vivenciou experiências diversas. Fica a torcida para eu não precisar mais me submeter a disciplinas virtuais na Puc Minas.