domingo, 16 de outubro de 2016

Ah, Letras é mais fácil, né... (Parte 2)

Como disse no post anterior, nem todas as matérias no curso de letras são obrigatórias. No meu caso, preciso cursar 3 matérias do grupo G1, 4 do G2, 5 do G3, 8 optativas e 210 horas de atividades acadêmico-científico-culturais, além da monografia.

O grupo G1 envolve os estudos temáticos de língua e linguística espanhola, oficina de tradução e os estudos temáticos de tradução, para todo mundo do espanhol (bacharelado e licenciatura). As disciplinas de G1 que escolhi fazer foram:
- Oficina de tradução (espanhol): os outros idiomas também possuem essa matéria, mas a única que fiz foi a do espanhol. A carga de leitura é normal (o que significa bastante leitura, mas nada tão cansativo) e a dificuldade é média. Sempre é oferecida pelo mesmo professor. Passei com B.
- Estudos temáticos de tradução (espanhol): não é uma matéria que aparece sempre na oferta. Foi muito boa, a melhor dentre as que fiz sobre tradução. Nela, tivemos algumas práticas de tradução e versão de documentos, lemos alguns textos teóricos, e tivemos uma aula sobre legendagem com um convidado da Espanha. Foi fácil de passar, tanto que passei com A, mais por o método de avaliação da professora, que é tradutora juramentada de espanhol, haver colaborado, que por ser uma disciplina/conteúdo fácil.
- Estudos temáticos de língua e linguística espanhola (Escritura creativa): foi ótima a matéria, super leve e diferente do que estamos acostumados no curso. Consistiu em textos teóricos sobre escrita criativa e em práticas. Passei com A.

O grupo G2 consiste em estudos temáticos de literaturas hispânicas e também é igual para o pessoal da licenciatura. Duas estou cursando este semestre, que são a Literatura de autoria feminina e a Alteridades no teatro Latino-Americano. As que já fiz são:
- Estudos temáticos de literaturas hispânicas (Arte, cultura e literatura dos países de língua espanhola): foi uma matéria tranquila, com carga de leitura alta e provas que você fica em dúvida se vai conseguir terminar ou não (mas isso normal nas matérias de literatura, pelo menos nas que eu fiz). Fiquei com A.
- Estudos temáticos de literaturas hispânicas (Literaturas minoritárias da Espanha): começamos com a literatura basca, depois fomos para a catalã e terminamos com a galega. Foi legal, mas achei que ia morrer (a professora é a mesma do Panorama da literatura espanhola). Passei com A.

O grupo G3, no meu caso que sou do bacharelado com ênfase em tradução, são Estudos da tradução, ou qualquer matéria que o professor-orientador julgue necessária para a monografia:
- Estudos da tradução (Abordagem Sistêmico-Funcional da Tradução): foi muito difícil para mim. Fiquei com B.
- Língua latina III: originalmente, seria uma matéria optativa para mim. As impressões foram as mesmas da Língua latina I e da Língua latina II. Passei com A.
- Gramática do espanhol em contexto: originalmente, era uma disciplina de G1 (Estudos temáticos de língua e linguística espanhola). Foi muito boa e útil, além de um pouco cansativa/apertada. Passei com A.
- Morfossintaxe de línguas indígenas e africanas: foi uma matéria ótima, linda, uma das melhores! Metade dela foi antropologia. Originalmente, era uma disciplina de Estudos temáticos de linguística teórica e descritiva. Passei com A.
- Latim vulgar: foi super legal, interessante e útil para mim. Originalmente, é uma disciplina de Estudos temáticos de língua latina. Passei com B.

Optativas são todas as disciplinas das outras habilitações ou excedentes nos outros grupos:
- Língua latina I, Língua latina II: disciplinas interessantes e que julgo importantes. Latim é difícil, bem difícil, mas, por sorte, apesar de ser tudo um pouco corrido, não somos obrigados a decorar da noite para o dia e as provas são com consulta. Tirei A nas duas.
- Inglês instrumental I, Inglês instrumental II: são ofertadas para toda a comunidade acadêmica e são online. Falta organização na plataforma. São cansativas, pelo excesso de exercícios (parece um material de didático de cursinho de idioma, desses bem repetitivos, só que no computador), mas tranquilas para quem já sabe um pouco da língua. Passei com A nas duas.
- Fundamentos de libras: também é online, e mais organizada que as duas de inglês instrumental. É obrigatória para as licenciaturas. Gostei tanto que hoje estudo libras no centro de extensão da faculdade. Fiquei com A.
- Linguística aplicada ao ensino (ferramentas digitais): matéria online. Muito legal, produtiva, e bem tranquila para mim, mas conheço gente que teve dificuldade por não estar muito acostumada a usar a internet, e aí não dava conta de fazer todas as atividades. Tirei A.
- Sintaxe do português: achei a matéria um pouco difícil, apesar de ter aproveitado bastante a Introdução aos estudos linguísticos II. Fiquei com A.
- Inglês, habilidades integradas I: as matérias do inglês não começam do básico, diferentemente de todas as outras línguas. Você faz um teste de nivelamento no primeiro dia de aula e, se tirar nota o suficiente, pode fazer o curso. O nível seria intermediário, suponho que um B1 (não tenho como ter certeza). É semelhante a aulas de cursinho de idioma, mas sem aprofundar como acontece com o espanhol. Infelizmente, as provas são mais difíceis do que se imaginaria tendo como base as aulas. Fiquei com B.
- Estudos temáticos de linguística teórica e descritiva (pronúncia do inglês para falantes de português brasileiro): matéria ótima e essencial que deveria ser/seria bom se fosse obrigatória e do primeiro período (para alunos do inglês, claro). É ofertada uma vez por ano, se não me engano. Tem alguns conteúdos mais tranquilos e outros mais difíceis. Tirei A.

Finalmente, para se formar, além de, no caso do bacharelado, a monografia, todos temos que completar 210 horas de atividades acadêmico-científico-culturais, porém, essas 210 horas podem significar bem mais que isso: as horas têm equivalência em crédito, e 210 horas equivalem a 14 créditos, porém 400 horas dando aula equivalem a apenas 4 créditos. Para completar todas essas horas, podemos fazer atividades de um grupo que aparece como G4, ou participar de minicursos, escrever livros, fazer apresentações artísticas, dar aulas, receber uma premiação internacional, etc. Realizei duas matérias do G4, sendo a primeira de 15 horas e a segunda de 30 horas (as outras matérias do curso possuem 60 horas):
- Oficina de alfabetização em hebraico, Alfabetização em escrita cursiva hebraica: aprendemos, além de o alfabeto e transliteração, um pouco da história da língua e da cultura dos falantes. São muitas atividades em pouco tempo e foram matérias extremamente cansativas. Fiquei com A nas duas.

Além disso, podemos fazer disciplinas da pós-graduação, como isoladas, e disciplinas de outros cursos. Eu fiz uma disciplina isolada da pós em linguística, para ajudar na minha monografia. O nome da disciplina, de linguística teórica e descritiva, era Contribuições da sociolinguística histórica para o estudo de processos de mudança linguística. Passei com A e achei uma matéria incrível. Tínhamos normalmente duas leituras por aula e textos em português, espanhol e inglês. 

Quem tiver interesse em conhecer melhor a grade curricular, como funcionam os créditos do G4 e conhecer a ementa das disciplinas obrigatórias, tudo isso está disponível no site da Faculdade de Letras da UFMG.

O tempo que estive na veterinária, fiz 23 matérias, tirei 3 A e 3 B, sendo que D foi o conceito mais recorrente, totalizando 15 disciplinas. Além disso, repeti algumas matérias. Como qualquer um pode perceber, um aproveitamento bem diferente do que tenho hoje, e isso não significa que o meu curso atual seja mais fácil – assim como não seria um curso mais difícil se eu tivesse facilidade em decorar conteúdo e fosse bem no primeiro, e tivesse dificuldade em ler ou escrever textos, argumentar, e fosse mal no segundo. Uma vantagem de ter feito parte de outro curso é que, um dia, poderia aproveitar o que aprendi para me especializar em traduções na área. Outra vantagem é que conhecimento é sempre necessário, independentemente de se o usaremos ou não para trabalhar.
Tenho amigas que são ex-colegas de curso e hoje estudam antropologia, outras continuaram na veterinária, uma virou fotógrafa, e tenho certeza que todas já sofreram algum tipo de discriminação por causa do curso, já que sempre tem um para avisar que “cursos de humanas são fáceis”, “quem faz veterinária é porque não conseguiu passar em medicina”, e se esquecem que pessoas diferentes têm dificuldades e vontades diferentes, e que o baixo índice de aprovação em algo demonstra antes um problema no sistema educacional que o quão grande é o objeto de estudo. Apesar de alguns conteúdos serem mais fáceis ou difíceis para a maioria, o sucesso dos alunos depende muito do professor (além de o esforço do aluno e sua facilidade ou não com a matéria, claro). Muitos problemas seriam evitados se aprendêssemos a valorizar as diferentes áreas do saber e aproveitássemos, por exemplo, o tempo livre para ser autodidata em didática, já que ter pós-doutorado não faz de ninguém o professor, no máximo te coloca no lugar que deveria ser ocupado por um.

(Vale a pena reforçar: não me conforte sugerindo substituir meu cachorro, nem me conforte pela substituição do meu curso).

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