quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Motivações para ler

Descobri que Raul Seixas tem uma prima escritora, a Heloisa Seixas, graduada em jornalismo pela UFF, e... Bom, quem quiser saber sobre a autora pode visitar seu site (http://heloisaseixas.com.br/), porque o assunto aqui não é ela, mas sim um de seus livros. Descobri que temos um livrinho da Heloisa aqui em casa, curtinho, de 78 páginas, e decidi ler. Posso dizer que, em relação à literatura, a escola (Ensino Fundamental e Médio) me motivou pouco ou nada, sendo, nesse sentido, o Raul mais eficiente que todos meus professores de português com suas leituras que tinham como único objetivo realizar uma prova. E isso não quer dizer que eles fossem ruins, apenas seguiam um padrão, eu acho.
O livro “O prazer de ler” aborda alguns temas como: o prazer que se sente ao ler e ao escrever; crianças e o hábito de leitura; como ela, Heloisa, teve o interesse pela leitura despertado pelas histórias que ouvia de sua avó, o que foi, também, o que a levou a se tornar escritora; o que ela chama de “Livro Amado”; gêneros tidos como menores, mas com grandes representantes; contos; obras de autoria feminina; tradução versus original; crônicas; o clima dentro de livrarias; sebos (e cita o Maletta, aqui em BH); bibliotecas e, especialmente, a biblioteca da Universidade de Salamanca; a organização dos livros em casa e e-book. No decorrer dessas primeiras páginas, vários autores são citados, dentre os quais alguns eu conheço – e um eu realmente não gosto, outros não tenho vontade de conhecer. Mas muitos eu nunca tinha ouvido falar, e o livro me despertou a curiosidade (mais um ponto para a família Seixas, e zero para meus professores de português).
Essa primeira parte do livro eu li em uma hora, 45 minutos e 28 segundos, enquanto ouvia músicas dos CDs Krig-ha, Bandolo!, Sociedade da Grã-ordem Kavernista apresenta Sessão das 10, Caroço de Manga e Os 24 maiores sucessos da Era do Rock, e me senti em Salamanca, junto com a Heloisa, visitando a biblioteca (com o Raul cantando, o que não sei se faz muito sentido, mas foi assim). O livro termina com uma lista, que ela diz saber ser clichê, dos livros que levaria para uma ilha deserta e comentário de cada um deles. Ainda não li essa parte final, porque passei as horas seguintes pesquisando sobre cada autor que ela havia citado antes e decidindo quais eu iria ler um dia.
Eu, particularmente, não acredito nisso que alguns falam, que qualquer coisa que se leia está bom, o importante é ler, mas é fato que as pessoas se motivam de maneiras diferentes para ler e estudar, e isso deveria ser levado em conta nas escolas. Seria mais interessante (útil) dar abertura àquilo que faz parte do universo dos alunos e, aos poucos, introduzir novidades (os clássicos), do que empurrar goela abaixo clássicos brasileiros seguidos de provas de verificação de leitura, como se o importante fosse responder umas perguntinhas e tirar uma nota boa. Não me lembro de um livro sequer que eu tenha lido por indicação de professor de português e que não fosse obrigatório. Antes de começar a estudar letras, praticamente tudo que lia de literatura era poesia, e por interesse próprio, ou obras em espanhol, por causa da língua, e, vez ou outra, algo (que não seria mesmo literatura) por causa do Raul. Tenho amigos que leem ou leram livros (mais comerciais) por causa de filmes, e outros poucos que possuem um conhecimento literário mais amplo, mas a culpada também não foi a escola. Se o fato de meu ciclo social não ter sido motivado a ler pela escola não for uma grande coincidência, só posso pensar que há algo de errado com essa instituição.

Segue a lista de autores que aparecem, até então, no livro. Espero que não tenha me equivocado na hora de organizar os nomes, e que esses nomes possam causar alguma curiosidade e, assim, motivar alguém a ler algo novo:
Aldous Huxley, Ana Maria Machado, Ann Radcliffe, Antonio Maria, Borges, Bram Stoker, Byron, Carlos Heitor Cony, Cervantes, Charles Dickens, Charlotte Brontë, Clara Reeve, Clarice Lispector, Conan Doyle, Dashiell Hammett, Dostoievsky, Edgar Allan Poe, Edith Wharton, Elsie Lessa, Emily Brontë, Euclides da Cunha, Fernando Sabino, George Orwell, Georges Simenon, Guimarães Rosa, Henry Fielding, Henry Rider Haggard, Herman Melville, Horace Walpole, Jack London, James Joyce, Jane Austen, João do Rio, John Meade Falkner, Jonathan Swift, Kafka, Karel Capek, Karen Blixen, Kurt Vonnegut Jr., Lewis Carroll, Lima Barreto, Luis Fernando Veríssimo, Luiz Edmundo, Machado de Assis, Marcel Proust, Mary Ann Evans, Mario Vargas Llosa, Mark Twain, Mary Shelley, Matthew Gregory Lewis, Nelson Rodrigues, Olavo Bilac, Oscar Wilde, Paulo Mendes Campos, Percy Bysshe Shelley, Ray Bradbury, Raymond Chandler, Ribeiro Couto, Robert Louis Stevenson, Rubem Braga, Ruy Castro, Sergio Porto, Scott Fitzgerald, Sheridan Le Fanu, Théophile Gautier, Tolstoi, Victor Hugo, Vinicius de Moraes, Wilkie Collins, William Beckford, William Faulkner, William Golding.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

(Livro infanto-juvenil) Linguística para crianças

            O livro infanto-juvenil “Idiomas: histórias interessantes das línguas”, de Amir Mattos, apresenta em 43 páginas algumas curiosidades linguísticas. Por ser voltado a um público jovem (na minha opinião, serve mais para crianças de uns 9-12 anos que para adolescentes), o livro não aprofunda muito nas informações, sendo algumas falhas do ponto de vista linguístico (como falar em “língua mais difícil”, que o grego é “ancestral do latim”, ou sobre um idioma originário africano que foi substituído por línguas europeias, sendo que ainda existem diversas línguas africanas, dentre muitas outras incorreções).

            A obra contém cinco capítulos: Curiosidades, que, dentre informações diversas, traz alguns ditos populares e palíndromos; Línguas artificiais e naturais; A linguagem dos animais; A linguagem das flores, com alguns significados atribuídos (não sei por quem, por que cultura) a diversas plantas. Apesar de, definitivamente, não ser uma obra rigorosa, pode ser interessante para despertar o interesse e a curiosidade em crianças. O livro é de 2001, eu ganhei no mesmo ano do lançamento ou no seguinte, e, apesar dos problemas, pretendo guardar e usaria com fins educativos (chamando a atenção inclusive para os problemas no conteúdo).