terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Dica de livraria: Casa del Libro


Para quem gosta/quer/precisa de livros em espanhol e tiver a oportunidade de ir a Madrid um dia, a Casa del Libro me surpreendeu positivamente: já sabia que ela tinha muito material bom, mas não sabia que a loja física era tão grande.

Consegui, finalmente, comprar o tomo II da gramática do Matte Bon (já tentei comprar várias vezes no Brasil, mas estava sempre sem nenhuma em estoque ou aparecia como disponível e depois as livrarias cancelavam a venda), e vou conferir se o Aula Internacional é realmente bom como falam.

Isso já é o suficiente para fazer uma viagem valer a pena.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O acento na aula (espanhol)

            Em 2002, quando comecei a estudar espanhol na escola, comecei a pensar na possibilidade de focar no espanhol argentino, apesar de a escola ensinar um espanhol mais genérico, de lugar nenhum. Em 2006, graças a um professor que morou em Buenos Aires, tive certeza de qual variação gostaria de seguir. Mas é óbvio que, apesar de tentar aproximar meu espanhol da variação rioplatense, tento sempre deixar claro aos meus alunos que eles são livres para escolher a variação que quiserem, pela qual sentirem mais atração, mas sonho com o dia que algum me avise que escolheu ter um acento da etnia bubi, da Guiné Equatorial, por exemplo.

            Até hoje, isso não aconteceu, mas, depois de tentar convencer meu namorado a aprender o espanhol boricua (porto-riquenho), ou, quem sabe, o dominicano, ele decidiu que seria bacana ter um sotaque yucateco, e está sendo uma experiência interessante pesquisar sobre essa variação linguística, isso porque as aulas só começarão em fevereiro – imagina depois que começarem!

            A língua espanhola, e não só ela, é riquíssima em variações fonéticas/fonológicas, lexicais, etc, o que está intimamente ligado às diferenças culturais e a história de cada região. Dessa maneira, a maior oportunidade do professor em prestar um bom serviço à sociedade é levar à sala de aula essa diversidade, como forma de ampliar o universo do aluno e, como consequência, proporcionar o respeito ao que é diferente de nós mesmo, ao que não é padrão. Pena muitos ainda insistirem em uma língua (e cultura) padrão.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Entrevista a Dulce Gomes

            Dulce Gomes é brasileira, de Belo Horizonte (MG), graduada em Design pela UFMG. Mora e trabalha na Noruega há sete anos e contou um pouquinho sobre o país e sobre como foi aprender o idioma:

1.      Qual foi sua motivação para aprender o norueguês e há quantos anos você mora na Noruega?
Moro na Noruega há 7 anos e as motivações foram muitas. Não poderia me propor a morar em um país sem falar o idioma. Por motivos óbvios como trabalho e escola e também por querer entender a cultura, a comunicação... Enfim, vim para morar e não para passar uma temporada.
E aqui sem o idioma não se consegue nada. Eu já perdi oportunidades fantásticas tipo dar aula na faculdade de moda por não ter a fluência que eles queriam, apesar do meu curriculum ser fortíssimo.

2.      Como foi seu processo de estudo? Você teve professor(es)? Foi difícil conseguir material de estudo? Qual foi sua maior dificuldade para aprender a língua? O norueguês foi sua primeira língua estrangeira ou você já falava outros idiomas?
Na Noruega todo imigrante que está legal no país tem um curso de norueguês de 500 hrs obrigatório e gratuito. Meu "problema" foi que não completei as 500 hrs. Fiz 280 e arrumei emprego. O que tem seu lado positivo e negativo, né.
A língua é muito difícil! Tem letras que não existem no nosso alfabeto, como ø, å, æ. E olha que eu falo inglês e italiano bem, além de um pouco de espanhol.

3.      Quando você viaja para países vizinhos, o norueguês te ajuda na comunicação?
Na Escandinávia dá para entender o sueco e dinamarquês. Tipo como português e espanhol e italiano.

4.      Qual a sua profissão? Não ter o norueguês como língua materna influenciou de alguma forma ao tentar conseguir emprego no país?
Eu sou fashion coordinator e dava consultoria e aulas no Brasil. Aqui tenho dois trabalhos e um deles é uma turma em uma faculdade de ensino a distância. Essa turma é do curso de moda.
A moda na Noruega ainda está engatinhando... Tipo como era no Brasil há 20 anos. Então a indústria de moda não tem muita força e nem o país tem identidade de moda. Mas fiquei impressionada com a quantidade de cursos de moda tanto a nível técnico como høyskoler.
Então eu trabalho com criatividade e arte, mas mudei para uma área mais humanitária. Trabalho com arte terapia com refugiados menores de idade que vêm sem a família para a Noruega, e confesso que não tenho a menor saudade da moda. Mas tenho minha turma com cerca 70 alunos e fui convidada para reescrever o livro texto da escola. Para não perder o contato com a moda e também porque é onde eu posso fazer o meu melhor.

5.      Em relação ao português, você mantém contato com a língua falada e escrita? Sente que houve alguma mudança sua em relação à língua desde que saiu do Brasil?

Falo português todos os dias. Inclusive xingo em português. De vez em quando esqueço uma palavra, mas não sei se é por causa de eu estar aqui ou se já é sinal da idade.