quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O acento na aula (espanhol)

            Em 2002, quando comecei a estudar espanhol na escola, comecei a pensar na possibilidade de focar no espanhol argentino, apesar de a escola ensinar um espanhol mais genérico, de lugar nenhum. Em 2006, graças a um professor que morou em Buenos Aires, tive certeza de qual variação gostaria de seguir. Mas é óbvio que, apesar de tentar aproximar meu espanhol da variação rioplatense, tento sempre deixar claro aos meus alunos que eles são livres para escolher a variação que quiserem, pela qual sentirem mais atração, mas sonho com o dia que algum me avise que escolheu ter um acento da etnia bubi, da Guiné Equatorial, por exemplo.

            Até hoje, isso não aconteceu, mas, depois de tentar convencer meu namorado a aprender o espanhol boricua (porto-riquenho), ou, quem sabe, o dominicano, ele decidiu que seria bacana ter um sotaque yucateco, e está sendo uma experiência interessante pesquisar sobre essa variação linguística, isso porque as aulas só começarão em fevereiro – imagina depois que começarem!

            A língua espanhola, e não só ela, é riquíssima em variações fonéticas/fonológicas, lexicais, etc, o que está intimamente ligado às diferenças culturais e a história de cada região. Dessa maneira, a maior oportunidade do professor em prestar um bom serviço à sociedade é levar à sala de aula essa diversidade, como forma de ampliar o universo do aluno e, como consequência, proporcionar o respeito ao que é diferente de nós mesmo, ao que não é padrão. Pena muitos ainda insistirem em uma língua (e cultura) padrão.

2 comentários:

  1. Adorei o texto e gostaria de, pelo menos, ouvir a variação yucateca e saber onde é falada.

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  2. É falado no México, em Yucatán, Quintana Roo e Campeche.
    Esse moço parece que é de Yucatán, tem outros vídeos dele: https://m.youtube.com/watch?v=nf8kKUcTEGs

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